CBH RIO DAS VELHAS PARTICIPA DE CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE SANEAMENTO E ABASTECIMENTO DE ÁGUA

CBH RIO DAS VELHAS PARTICIPA DE CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE SANEAMENTO E ABASTECIMENTO DE ÁGUA

O presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano coordenou, na tarde desta quarta-feira (13/09), o painel Saúde, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, realizado dentro da programação oficial do III Congresso Internacional de Saneamento e Abastecimento de Água – Resag 2017, que será realizado até a próxima sexta-feira (15/09) na Universidade Federal de Minas Gerais.

Durante sua apresentação, Polignano lembrou que, em âmbito global, prevê-se que a demanda por água irá aumentar de forma significativa nas próximas décadas, motivada pela urbanização acelerada e a expansão dos sistemas urbanos. E ainda, o aumento do despejo de esgotos não tratados, combinado com o escoamento agrícola e as águas residuais tratadas de forma inadequada pela indústria, resultaram na degradação da qualidade da água em todo o mundo. Portanto, segundo o presidente, os resultados são catastróficos.

“Sabemos, que no Brasil mais de 800 mil morte por ano são causadas por contaminação das águas. Sabemos também que a cada R$ 1 investido em saneamento básico, uma economia de R$ 4 é gerada na área de saúde. Por isso, precisamos ter uma perspectiva de que saúde não é apenas problemas de atendimento médico. O que falta no país é a qualidade de vida e de meio ambiente. É isso que desqualifica a saúde e torna o Brasil o país com um dos maiores índices de doença coletiva no mundo”, alerta Polignano.

Ainda segundo o presidente, o que falta de saneamento básico sobra de passivos para os rios, como os efluentes industriais, de mineração, além do lixo urbano, que criam cenários caóticos. “É impossível ter saúde coletiva nesse contexto. Precisamos dar cidadania às pessoa, com água de qualidade e saneamento como condições essenciais”, destaca.

 

Revitaliza – Ao finalizar, o presidente do CBH Rio das Velhas apresentou o programa Revitaliza Rio das Velhas, que estabelece o compromisso por uma atuação sistêmica e coordenada de vários atores com vistas a alcançar a disponibilidade de água em quantidade e qualidade, visando garantir os múltiplos usos da água e a segurança hídrica da bacia do Rio das Velhas. Segundo Polignano, os Comitês de Bacia Hidrográfica são os grandes fomentadores da pactuação da qualidade pelas águas, por isso, a política de gestão das entidades precisam estar fortalecidas como uma gestão de território.

“Água tem total relação com o território e, portanto, com a Bacia Hidrográfica. A nossa escassez não é apenas de água de chuva, mas falta de gestão territorial. Não vamos melhorar parâmetro de qualidade de água, de gestão ambiental se não tivermos uma bacia com áreas de recarga e matas que garantam a permeabilidade dos solos. Temos que fortalecer essa política territorial, recuperar o passivo ambiental, produzir água e manter a biota aquática”, enfatiza o presidente.

Debates – O painel Saúde, Meio Ambiente e Recursos Hídricos contou também com importantes temas que tratam da qualidade do meio ambiente e dos recursos hídricos. Mestre e doutor em Engenharia de Produção e professor da USP, Guilherme Ary Plonski, falou sobre as Nascentes da Inovação. Segundo o professor, água não é apenas um recurso hídrico. “É um valor humano, afetivo e cultural”. Plonski lembrou os 20 anos de criação da Lei das Águas, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. “A instalação da lei possibilitou uma mudança positiva e duradoura nesse nosso meio. Agora, precisamos agregar inovação e tecnologia para melhorar o tratamento e os cuidados com a nossa água”, diz o professor.

Durante o painel, também foi abordado o tema sobre Indicadores da qualidade em Bacias Hidrográficas. O biólogo coordenador do setor de Hidrobiologia da Divisão de Qualidade e Controle Laboratorial da Copasa-MG, Fernando Antônio Jardim, abordou o tema de Florações de Algas e Cianobactérias. Jardim lembrou que as cianobactérias são um grande problema ambiental. “Elas surgiram a mais de 3,5 bilhões de anos e conseguiram adaptações morfologias que garantem sua sobrevida em qualquer ambiente, resistindo a uma série de intempéries que outras algas não resistem. Elas produzem toxinas, gostam de águas quentes, paradas e onde há nutrientes, principalmente elevadas concentrações de nitrogênio e fósforo”, diz.

O coordenador alerta que a via de transmissão de doenças por meio de cianotoxinas é grande. Por isso, a Copasa tem feito, permanentemente, ações de monitoramento e prevenção nos mananciais e Estações de Tratamento de Água a fim de barrar as florações de cianobactérias. “Com a identificação do aumento da densidade de cianobactérias inicia-se as ações operacionais a fim de evitarmos qualquer contaminação”, afirma.

Ainda segundo Jardim, em Minas Gerais a Copasa é responsável por 622 captações superficiais de água e, em 29 delas, já foi detectada a presença de cianobactérias, na água bruta. “Sabemos onde o problema está, mas, principalmente, sabemos as providências para tirar essas toxinas das estações de água. A boa qualidade do tratamento é imprescindível para a qualidade das águas e do abastecimento”, destaca o biólogo.

Outros temas e assuntos abordados no painel foram Ecotoxicologia, Indicadores Físico-Químicos, e Tecnologia de membranas no tratamento de efluentes.

Estande Institucional – O CBH Rio das Velhas participou do evento como patrocinador prata e, dentre as iniciativas, preparou um estande institucional, disponibilizando informações promocionais sobre os recursos hídricos, os problemas e as riquezas de suas Unidades Territoriais Estratégicas (UTEs). Os participantes do evento puderam também conhecer a revista institucional e o boletim informativo do CBH Rio das Velhas.

O 3° Congresso Internacional RESAG segue até o dia 15 de setembro, com discussão e debates de temas sobre tecnologia, ações de governo nas áreas da saúde, meio ambiente, indústria, agricultura e outras, com a participação de vários ministérios, órgãos governamentais e empresariais, de forma articulada com a academia e institutos de tecnologia de diversas regiões do País.
O congresso é destinado a gestores públicos, legisladores, profissionais das áreas de Química, Física, Geologia, Arquitetura, Geofísica, Saúde, e Engenharia; pesquisadores e estudantes, representantes de comitês de bacia hidrográfica, dentre outros.

 

FONTE: CBH RIO DAS VELHAS