Crise hídrica em Montes Claros: Prefeitos querem barrar adutora do Pacuí

Crise hídrica em Montes Claros: Prefeitos querem barrar adutora do Pacuí

Uma das maiores cidades do interior e capital do norte de Minas Gerais, Montes Claros enfrenta em 2017 o maior desafio de sua história: a falta d’água para abastecer uma população de mais de 400 mil habitantes.

Por décadas políticos, gestores públicos, produtores rurais e até mesmo ambientalistas da região focaram numa única alternativa para reforçar a produção de água para abastecimento humano da cidade: a implantação da barragem Congonhas com transposição de suas águas para a barragem Juramento. Sonho que traria, além da disponibilidade hídrica, capacidade de irrigação para produção na região, perenização do rio Verde Grande e até fornecimento de água para mineração.

Essa barragem nunca saiu do papel e apesar de ser um sonho sonhado juntos está longe de virar realidade...

Em 2017, com a persistente e terrível crise hídrica que afeta o Brasil, em especial o norte de Minas, a escassez de água chegou a uma situação crítica e a concessionária Copasa precisou buscar alternativas para garantir água para a população. Dentre as ações que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais está realizando, o racionamento é o remédio mais amargo. O inevitável rodízio, ao constatar que no início de julho/2017 a barragem Juramento já estava com apenas 26% de sua capacidade. Isto afeta a todos, ricos e pobres, e muda a rotina diária dos Montesclarenses.

Outras ações realizadas pela Copasa na cidade chamam a atenção, como a perfuração de dezenas de poços profundos, ações de conscientização para uso racional da água, combate às perdas na distribuição e investimentos na ampliação do sistema de abastecimento.

Mas nenhuma delas desperta maior polêmica do que a obra para captar água no rio Pacuí, por meio de uma adutora de 56 km. Segundo o IGAM, há disponibilidade para captar cerca de 300 litros por segundo nesse rio sem prejudicar sua vazão e a Copasa informa que já conseguiu autorização para implantar a captação e a outorga para uso da água. A obra está sendo licitada em tempo recorde e a meta é que esteja concluída até o início do próximo ano, quando entrará em operação com a promessa de aplacar a sede dos Montesclarenses.

O que surpreende nisso tudo é a postura de alguns prefeitos de cidades cortadas pelo rio Pacuí: ao invés de estarem solidários à situação da capital do Norte de Minas Gerais, eles vêm a público atacar a obra e ameaçam acionar a justiça porque a Copasa não conversou com eles!

Vaidade? Egoísmo? Falta de solidariedade? Oportunismo político? Muitas perguntas sem respostas após essa decisão absurda desses “homens públicos” cujos familiares residem ou trabalham ou estudam em Montes Claros e com certeza sofrem os efeitos da seca terrível.

Esquecem convenientemente que a cidade chamada de capital do Norte de Minas fornece saúde, educação, empregos e desenvolvimento para toda a região, inclusive e principalmente para a população de seus municípios que, se não fosse a infraestrutura de Montes Claros, teriam que buscar apoio há centenas de quilômetros de distância, em Belo Horizonte, por exemplo.

Onde está a solidariedade e o pensar grande desses políticos que numa crise que afeta mais de 400 mil pessoas conseguem se preocupar tão somente com seus interesses?

É hora de união dos mineiros da região norte para enfrentar, provavelmente, o maior desafio de sua história e, nesse momento, os homens públicos que serão lembrados são aqueles que tiverem a coragem para ser solidários não apenas com seus eleitores, mas com todos os conterrâneos dessa sofrida região.

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