E A CULPA DA CORRUPÇÃO NO BRASIL É DO TONY RAMOS!

E A CULPA DA CORRUPÇÃO NO BRASIL É DO TONY RAMOS!

Na última quarta feira, Auditores Fiscais Agropecuários se reuniram em frente ao Ministério da Agricultura, para fazerem um protesto diferente. Ninguém estava ali para lutar por reajuste salarial ou reivindicar direitos não concedidos para a classe que pertencem. A solicitação era bem mais simples, mas quase impossível de se conseguir. Eles pediam somente o fim de indicações políticas para cargos de chefia.

Depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (adorei o nome), a culpa maior da baixa qualidade da carne vendida ao consumidor recaiu sobre quem fiscaliza. Por esta razão, entende-se que o ato dos Auditores na manifestação, tem uma informação implícita para a sociedade, do tipo: “Não queremos fazer vistas grossas nas fiscalizações. Tem quem nos impeça de executar o nosso trabalho como ele realmente deve ser feito”.

Maurício Porto, Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Agropecuários, disse ao site uol que “trata-se de um problema de corrupção, e não de vigilância sanitária”.

Quem somos nós para julgar os outros, mas penso que ele está certo em sua colocação. Pois é de se estranhar que de 27 superintendências de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, espalhadas por todo o Brasil, tenhamos 19 delas sendo chefiadas por indicados políticos. Só oito Estados possuem funcionários de carreira no comando. (fonte: uol.com.br)

Saindo da carne e indo pra água e o esgoto, a situação é praticamente a mesma. As Companhias de Saneamento de cada Estado do País são presididas por indicados dos Governadores locais, pela função ser considerada “cargo de confiança”.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a presidência da CEDAE sempre ficou nas mãos de um indicado político, cujo currículo nada tinha a ver com o cargo que ocupava. Fica claro que a preocupação principal nunca foi com a gestão.

No ano de 2011, quatro ex-presidentes deste órgão foram acusados pelo Ministério Público de improbidade administrativa, por contratarem funcionários (muitos para cargos de chefia) de forma irregular. Todos eles foram condenados pela justiça. (fonte: oglobo.com)

O caso acima do Rio de Janeiro é um exemplo do que acontece em praticamente todo o Brasil.

Em Pernambuco, no ano de 2015, a justiça bloqueou bens de diretores da COMPESA, também acusados de improbidade administrativa. O motivo? Superfaturamento de contratos na aquisição de bens e na execução de serviços. (fonte: oglobo.com)

No norte, em Belém do Pará, um ex-presidente da COSANPA, abandonou o cargo recentemente, mas, mesmo assim, continuou a receber salário + benefícios por mais alguns meses. (fonte: urbanitarios-pa.org.br)

No Maranhão, dois ex-presidentes da CAEMA foram indiciados acusados de formação de quadrilha, prevaricação e patrocínio infiel. Crimes cometidos a partir de 2002. (fonte: 180graus.com)

Agora o ano é 2011 e o Estado é Sergipe. O Tribunal de Contas condenou dois ex-presidentes da Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO a devolver dinheiro aos cofres públicos pelo superfaturamento em contratos com uma Construtora, para obras em adutora do Rio São Francisco. (fonte: politicareal.com.br)

O que estas Companhias de Saneamento têm em comum? Todas elas serão privatizadas até 2018. E a tomada de decisão partiu dos próprios políticos que ajudaram a acabar com estes órgãos.

Mas, afinal de contas, o que é que isso tem a ver com a carne?

Tudo! A questão não é sobre gestão, mas sim sobre corrupção.

A corrupção no poder público dá muito trabalho, e, caso descoberto, fica difícil do político envolvido fugir à sua responsabilidade, como vimos nos exemplos acima.

No caso das empresas privadas, os políticos e os partidos recebem o dinheiro da mesma forma, só que sem nenhum esforço e com risco “quase zero” de serem pegos.

O povo ainda pode reclamar por melhores serviços na área de saneamento (enquanto as empresas ainda são públicas). Mas, quanto às empresas privadas do ramo alimentício, daqui a duas semanas o caso cai no esquecimento e voltaremos a comer carne de qualidade duvidosa e com um ágio em cima do valor atual, para sanar os prejuízos que o setor vem tendo neste período de turbulência.

Vejo jornais e sites escrevendo que fiscais faziam “vistas grossas” a irregularidades com a carne nos frigoríficos, mas, “se o chefe manda, o funcionário tem que obedecer”.

De nada adianta “cair na alma” dos fiscais, do Tony Ramos e da Fátima Bernardes. Se o problema fosse com eles estava fácil de ser resolvido.

Agora entendo o preço elevado da carne que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, comprava para seu consumo.

Brincadeiras à parte vale a pena lembrar que o clima no Brasil não anda nada bom. As crises política e econômica estão alterando os ânimos da galera e dividindo a população. O cidadão passou a defender, cada um, a sua ideologia, como se uma política mais social ou liberal fosse resolver hoje “todos os problemas do mundo”. Não resolve porque tanto a esquerda, quanto a direita está corrompida e eles estão longe de tomar as suas decisões por razões ideológicas.

O grande vilão do Brasil é a corrupção. Eu sei que não tem jeito de acabar com ela, mas, se não arrumarmos um jeito de dar ao menos uma “amenizada”, daqui a pouco não vai nos sobrar país pra discutirmos qual seria a melhor forma de governá-lo.

Um abraço!

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