Forças ocultas querem tirar o saneamento dos mineiros

Forças ocultas querem tirar o saneamento dos mineiros

E a estratégia de privatizar o saneamento continua Brasil afora. Na contramão do mundo, diga-se de passagem, como diria o famoso comentarista esportivo. A CEDAE, empresa que virou símbolo dessa onda, continua como a bola da vez sendo que a renomeada Odebrecht Ambiental, hoje BRK Ambiental (a Lava Jato obriga a cada coisa), é a favorita para ganhar a licitação que sequer foi elaborada. Jogo de cartas marcadas, muito provavelmente, mas o que também não é dúvida é que é negócio lucrativo cuidar do saneamento em muitos municípios fluminenses.

Mas alguns governadores resistiram ao canto da sereia do Temer. Caso de Minas Gerais, onde o Pimentel manteve-se firme na posição ideológica e de gestor público em manter a Copasa sob o controle do Estado. Não faz sentido vender uma empresa lucrativa, referencial de excelência no setor na América Latina, e que atua numa área em que o mundo desenvolvido privatizou décadas atrás e hoje está reestatizando. Saneamento é saúde preventiva e preservação ambiental. Saúde preventiva e meio ambiente são obrigações do Estado.

Mas os interesses privados que buscam lucros a todo custo não se conformam com essa decisão e são observados movimentos nas sombras e no mundo virtual para gerar pressão popular contra essas empresas lucrativas. Continuemos em Minas: observa-se nos últimos anos ações localizadas e estranhamente parecidas de norte a sul, leste a oeste do estado, denegrindo a imagem da Copasa e indicando a privatização como solução mágica.

Pará de Minas

O primeiro deles foi em Pará de Minas, região central, onde a Copasa e Prefeitura chegaram a um impasse na renovação da concessão e o Prefeito a época realizou uma privatização relâmpago. Assumiu a concessão o grupo Águas do Brasil que opera o sistema há três anos. Na justiça, ainda tropeçam processos contestando a legalidade da licitação. Um deles foi julgado procedente em segunda instância, mas a empresa que havia impetrado a ação e obtido vitória na segunda instância que obrigaria o município a realizar nova licitação, misteriosamente, desistiu da mesma.

Fato é que a Águas do Brasil realizou uma obra buscando água no rio Paraopeba em poucos meses, mas ainda não conseguiu resolver o problema da falta d’água na cidade. As reclamações da população e de políticos recentemente eleitos é que a empresa privada não consegue tratar adequadamente a água desse manancial na Estação de Tratamento de Pará de Minas. Há outras reclamações na cidade quanto a transparência das tarifas e serviços cobrados, qualidade dos mesmos. Os empregados reclamam dos baixos salários, falta de benefícios, alta rotatividade, exploração. Já há rumores que o novo prefeito e muitos vereadores ensaiam uma negociação com a Copasa para reassumir a operação do saneamento na cidade.

Ubá

Outro caso emblemático foi a cidade de Ubá, na zona da mata mineira, onde o Prefeito tentou por inúmeras vezes realizar licitação para retirar a Copasa da cidade. A justiça, provocada pela Copasa, impediu essa ação e hoje o sistema permanece com a estatal mineira que realiza investimentos para ampliar a oferta de água no município. Em Ubá percebeu-se uma ação tentando convencer a população que a saída à direita, via privatização, era o melhor dos mundos para todos. Redes sociais denunciando “falhas” e “problemas” na Copasa tentaram criar a sensação de paralisia e incompetência da empresa para forçar a licitação. Mas a opinião pública, ainda que parcialmente contaminada por essa campanha, permaneceu em dúvida e hoje a Copasa tem credibilidade para reverter a crise.

As más (ou boas) línguas afirmam: por trás dessa campanha estão empresas privadas que querem entrar no Estado de Minas Gerais a todo custo. Para saber os nomes, consultemos as listas da Lava Jato e da delação da JBS.

Montes Claros

Em Montes Claros, no norte de Minas, a campanha contra a Copasa foi coordenada pelo famoso prefeito Ruy Muniz, cuja esposa ao votar pelo afastamento da Dilma afirmou que ele combatia a corrupção exemplarmente (“sim, sim, sim!” lembram-se?!) e que foi preso no dia seguinte pela Polícia Federal por corrupção. Novamente, a alegação para retirar a Copasa da cidade eram falhas na prestação de serviços e descumprimento de contrato de concessão. A justiça, similar a Ubá, foi acionada pela Copasa e impediu as várias licitações agendadas pelo Ruy Muniz.

Novamente, o modus operandi foi muito parecido com os demais, redes sociais, vereadores, pessoas que buscam notoriedade e fama para candidaturas futuras, todos unidos na campanha para convencer a população que a Copasa é o inferno e a iniciativa privada é o céu. Vendendo a ideia que tirando a estatal mineira, milagrosamente, todos os problemas serão resolvidos e a tarifa reduzida por decreto.

Com o afastamento do Prefeito e a eleição de outro político cujo passado e presente é o oposto do milionário e aventureiro Ruy Muniz, Copasa e Prefeitura voltaram à mesa de negociação, dessa vez, sob a sombra da maior crise hídrica da história da centenária cidade. Estranhamente, as empresas privadas interessadas se afastaram, pois será preciso investir centenas de milhões de reais para buscar água no rio Pacuí e São Francisco de forma a manter o abastecimento da população. A Copasa está realizando as licitações e projetos para atender essa necessidade.

Divinópolis

Outra cidade da região central onde há campanha contra a estatal mineira. Desta feita capitaneada pelo Deputado Fabiano Tolentino, mas utilizando a mesma argumentação das demais. O discurso e postura midiática do deputado lembram em muito o famoso parlamentar Weliton Prado que, até hoje, briga diuturnamente contra tarifas da Copasa e Cemig.

As críticas à Copasa em Divinópolis, novamente, afirmam descumprimento de compromissos, tarifas indevidas, descaso e má qualidade dos serviços prestados. A estatal mineira afirma e comprova com unidades (Estação de Tratamento de Esgotos Pará) e redes em operação que já foram realizados vultuosos investimentos e que as outras duas estações de tratamento de esgoto (Itapecerica e Ermida) serão concluídas até 2018.

De novo, ventilam a saída da Copasa como solução mágica para o saneamento em Divinópolis. Pergunta-se: mas cara pálida, saindo a Copasa, quem entra para assumir os serviços de água e esgoto da cidade?

Curvelo

Por fim, desde o ano passado, ocorre a mesma campanha em Curvelo. Vide texto do nosso site publicado na semana passada.

Segue abaixo:

Abre o olho Pimentel: fogo amigo dentro do seu governo pra prejudicar a Copasa em Curvelo

Forças ocultas

O título desse artigo faz referência à famosa carta testamento do estadista Getúlio Vargas e nos faz pensar sobre o que será melhor para o povo mineiro em relação ao saneamento e a perenização de ações preventivas à saúde e ao meio ambiente:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes...”

Confiemos que os políticos sérios e bem intencionados cuidem para que o destino do saneamento em várias cidades mineiras não caia nas mãos sedentas por lucro das empresas privadas.

Leia também:

- Maranhão transforma saneamento com CAEMA estatal

- Irrigar plantações com esgoto bruto

- Reduzir as perdas para ampliar a oferta de água

- E a culpa da corrupção do Brasil é do Tony Ramos!

Grandes barragens X crise hídrica: é preciso reduzir a perda por evaporacao

O carnaval que passa e a sujeira que fica

Cortina de fumaça

Privatizar o saneamento: Não!

O bem de todos acima do interesse pessoal

CEDAE-RJ: privatização é condicionante para ajuda do Governo Federal ao Estado

ASSEMAE: em defesa do protagonismo municipal nos serviços de saneamento

Como reduzir gases corrosivos como o H2S nos sistemas de esgotamento sanitário

Água mineral de garrafa: os perigos da contaminação

Palavra cruzada

Tarifas de água e esgoto são altas no Brasil?