Fórum Mundial da Água recebe contribuições

Fórum Mundial da Água recebe contribuições

Pela primeira vez, evento acontecerá no Hemisfério Sul, mais especificamente em Brasília. “Será o maior encontro sobre água de todos os tempos”, diz secretário executivo do MMA
 
Mais de 800 pessoas, de diversas partes do mundo, participam até esta quinta-feira (27), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, do 2º Encontro das Partes Interessadas, última reunião preparatória para o Fórum Mundial da Água, que será realizado na capital federal, em março de 2018. Pela primeira vez, o evento ocorrerá em um país do Hemisfério Sul.

Durante a abertura da reunião, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Marcelo Cruz, informou que o ministério, junto com todos os parceiros, tem se empenhado para “realizar o maior encontro sobre água de todos os tempos”. De acordo com ele, o fórum será uma grande oportunidade para a discussão democrática e a troca de experiência entre os diversos países e entidades.

“Embora não gere acordos vinculantes, o espaço do fórum é propício ao estabelecimento de compromissos políticos e incentivos às ações. Sua força vem da reunião de todas as partes interessadas nessa agenda, como políticos, gestores, pesquisadores, usuários e sociedade civil”, disse o secretário executivo.

Soluções

Marcelo Cruz destacou que, embora o Brasil seja o maior produtor de água, concentrando 12% de toda água doce do planeta, também tem problemas. “A mudança do clima, o desmatamento e as dificuldades de gestão têm tornado a crise hídrica um mal crônico em boa parte do país”, informou. Diante desse cenário, Marcelo Cruz reforçou que o MMA tem trabalhado em todas as frentes: prevenção, mitigação e adaptação para reverter o quadro.

Entre as ações e políticas públicas destacadas pelo secretário, estão o Programa Água Doce, que tem como objetivo o estabelecimento de uma política permanente de acesso a água de boa qualidade para o consumo humano; e o Sistema do Cadastro Ambiental Rural (Sicar), ferramenta gerida pelo MMA, por meio do Serviço Florestal Brasileiro, que permite um mapeamento de áreas de preservação permanente e nascentes em todas as propriedades rurais do país. “Tudo que fortalece as florestas é bom para os rios e para o combate à mudança do clima. Esses elementos influenciam mutuamente no ciclo que devemos tornar virtuoso”, disse.

Plataforma

O presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu, destacou a importância da participação popular por meio do Fórum Cidadão. “Esperamos que a participação social neste evento seja considerada uma referência aos demais fóruns, pois vamos cuidar de dar expressão e sentido a cada uma das demandas dos cidadãos”, disse Andreu.

Outro canal de participação social para influenciar nos temas a serem discutidos no fórum, que espera reunir cerca de 15 mil pessoas em março do ano que vem, é a ferramenta SuaVoz. Trata-se de uma plataforma online que permite que qualquer cidadão no mundo possa expressar sua opinião ou contribuir com experiências e troca de ideias sobre os desafios envolvendo a água sobre clima, pessoas, desenvolvimento, meio urbano, ecossistemas e sobre o financiamento das soluções.

A plataforma foi proposta pela Agência Nacional de Águas e está sendo usada pela primeira vez em um Fórum Mundial da Água. As contribuições podem ser feitas em português ou inglês, mas há ferramenta para tradução para 90 idiomas. Serão três rodadas de debates. A primeira esteve ativa entre 13 de fevereiro e 23 de abril e recebeu mais de 20 mil visitantes em 35 sessões de discussões que geraram 555 contribuições.

Preocupação global

De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, a diversidade de pessoas e de organizações representadas no evento revela uma verdade fundamental sobre o tema: “embora a gestão da água esteja predominantemente em uma questão local, as consequências de uma má gestão são uma realidade e uma questão global”, apontou.

Benedito Braga também disse que o Fórum Mundial da Água não é uma conferência técnica, mas um processo cujo o foco é gerar impacto político. “É um processo onde todos os aspectos sobre a água são considerados, seja num nível político, temático, regional ou cidadão”.

O secretário geral de Meio Ambiente do Ministério de Relações Exteriores, José Antônio Marcondes de Carvalho, acrescentou que tão importante quanto a água será a discussão sobre o assunto antes, durante e depois do fórum. “A água é fundamental para os direitos humanos, para segurança alimentar, para produção de energia e de bens. Então, a água se confunde, efetivamente, com a vida”, declarou.

O fórum

O Fórum Mundial da Água acontece a cada três anos e tem como objetivo aumentar a importância da água na agenda política, além de promover o aprofundamento das discussões, troca de experiências e formulação de propostas concretas para os desafios relacionados aos recursos hídricos.

A organização do 8º Fórum, que acontecerá em março do ano que vem em Brasília, é realizada pelo governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, pelo Governo do Distrito Federal e pelo Conselho Mundial da Água.

Confira as cidades das últimas edições do fórum:

Marrocos (Marrakesh/1997)
Holanda (Haia/2000)
Japão (Quioto, Shiga e Osaka/2003)
México (Cidade do México/2006)
Turquia (Istambul/2009)
França (Marselha/2012)
Coreia do Sul (Daegu e Gyeongbuk/2015)
 
FONTE: www.icmbio.gov.br