Intervenção na Copasa em Bom Despacho não resolve nada!

Intervenção na Copasa em Bom Despacho não resolve nada!

O Prefeito de Bom Despacho decretou, na sexta 22/09, intervenção nas operações da Copasa na cidade. Motivo: falta d’água.

 Mas será que essa decisão é realmente relevante para solucionar o problema da escassez hídrica em Bom Despacho?

Interventores terão conhecimento, recursos e solução mágica para produzir água no ápice da crise hídrica que já dura quase uma década no Estado?

Ou será uma decisão midiática e demagoga que acabará prejudicando as ações em curso para minimizar o sofrimento das pessoas desabastecidas?

São perguntas que todos devemos fazer num momento crucial da crise hídrica que afeta o estado de Minas Gerais e o Brasil desde a década passada. Já vimos São Paulo e Belo Horizonte sofrerem em anos anteriores. Nesse ano, Brasília, Salvador e Recife encabeçam a lista de capitais com problemas, sem contar outras grandes, médias e pequenas cidades que estão com racionamento de água há alguns meses.

No interior de Minas, a seca atingiu várias cidades, dentre elas, Bom Despacho, onde o prefeito inovou com a intervenção. Mas responsabilizar apenas a Copasa por um problema como esse é simplismo demais. As empresas de saneamento têm sua parcela de responsabilidade, uma vez que precisam buscar novas fontes de produção para evitar o colapso. Isso deve ser apurado e punido pela justiça.

No entanto, a crise hídrica que estamos vivendo é secular e impossível de ser prevista. Há cidades que estão com os mananciais superficiais secos e os poços profundos com queda de vazão ou parados. Ao procurar outros rios próximos, o mesmo se repete, então a solução imediata fica impossível de ser realizada no curto prazo.

O racionamento, economia de água e eliminação do desperdício são as únicas ações de curtíssimo prazo que podem ser empreendidas, mas desde que haja o envolvimento de todos: Concessionária, Prefeitura, Vereadores, Sociedade, Empresas e Consumidores. Outras possibilidades seriam as cobranças de sobretaxas para consumo acima da média e descontos para os clientes que economizarem, similar ao adotado pela Sabesp em São Paulo.

No médio prazo, investir na recuperação dos mananciais, implantação de barraginhas, plantio de mudas, proteção e cercamento de nascentes, fiscalização dos usos das águas e educação ambiental. Novamente, tarefa para toda a sociedade: Concessionária, Prefeitura, Vereadores, Sociedade, Empresas e Consumidores.

No caso das operações da Copasa, não é só Bom Despacho que sofre, mas Montes Claros, Santo Antônio do Monte, Ubá, Abaeté, Paracatu, Perdigão, Taiobeiras, Arcos, Urucânia, entre outras muitas localidades. Em comum, o comprometimento de seus mananciais superficiais e a queda de vazão dos poços perfurados, devido a falta de recarga pela redução, irregularidade das chuvas e uso indiscriminado das águas por grandes irrigantes e indústrias.

No caso das operações sob responsabilidade das Prefeituras ou iniciativa privada, temos: Viçosa, Guanhães, Bocaiúva, Pará de Minas, Barbacena, Formiga, entre muitas outras. Os motivos são os mesmos.

Voltando a Bom Despacho, acreditar que nomear um interventor para administrar a Copasa local temporariamente resolverá o problema é um grave engano. Até o pessoal se inteirar da situação, entender o sistema de abastecimento e seus problemas para definir as possíveis soluções, será muito tarde! Perderemos um tempo precioso...

O momento na cidade é de união de todos os grupos: políticos (prefeitura e vereadores), técnicos (pessoal da Copasa e órgãos fiscalizadores e reguladores) e da sociedade (consumidores, MP, iniciativa privada), para em conjunto buscarem um pacto que minimize os impactos da falta d’água na vida das pessoas.

Essa intervenção é uma ação midiática, demagoga e que atrapalhará muito mais que ajudará na solução do problema de abastecimento de água em Bom Despacho!

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