Minha querida e judiada Lagoa da Pampulha

Antes da Lagoa da Pampulha se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade, ela já tinha, há muito tempo, o título de "Grande Patrimônio Sentimental dos Mineiros".

Desde a década de 80 nos acostumamos a conviver com os problemas ambientais que atingem a Lagoa. Não sou perito no assunto, mas tenho olhos e nariz. A sujeira é visível em toda orla e o cheiro que nos acompanha nas caminhadas de fim de tarde, beira o insuportável. 

Do período democrático pra cá, Belo Horizonte já teve 7 prefeitos. Todos que passaram pela Gestão Municipal prometeram resolver os problemas da Lagoa da Pampulha, mas as ações tomadas, além de serem muitas vezes eleitoreiras, de nada serviram para sua recuperação.

Sérgio Ferrara em 1987 tentou o desassoreamento através de dragagem, mas foi impedido pela COPAM, hoje COPASA.

Já na gestão de Pimenta da Veiga o desassoreamento pôde ser executado com todo material dragado sendo depositado novamente na Lagoa após sua limpeza. Enquanto a sujeira era retirada, mais sujeira entrava através dos córregos Ressaca, Sarandi e Braúna, dentre outros.

Patrus Ananias prometeu em campanha acabar com a poluição da Lagoa, mas tudo o que fez foi promover mais um desassoreamento no final de seu mandato em 1996.

Célio de Castro se utilizou da mesma tática que Patrus na sua campanha de reeleição. E Fernando Pimentel, em seu mandato, lançou o filme: "Desassoreamento 4 - A Missão".

Márcio Lacerda se reelegeu prometendo em 2013 preparar a Lagoa para esportes náuticos até 2014. Agora, no final de seu mandato, ele jura que até o ano que vem ele vai pegar o "seu barco" e "velejar por aquelas águas".

Além da palavra "desassoreamento", outros termos bastante empregados durante mais de trinta anos foram "introdução de aguapés" e "retirada de aguapés".

A planta que é utilizada para reter matéria orgânica passa a ter um desenvolvimento fora do comum, já que o esgoto não para de cair na Lagoa. Com isso, além do poder público não resolver o problema, ele acaba criando outros que resultam em mais dinheiro gasto do contribuinte.

Uma hora a Prefeitura introduz os aguapés na Lagoa. Depois, a proliferação deles sai do controle e então são pagos centenas de fretes para a retirada destas plantas. Mas se o esgoto não é retirado de forma definitiva, podemos dizer que este tipo de ação nada mais é do que um descaso com o dinheiro público. 

Reformaram o Estádio Mineirão, colocaram uma passarela que o liga ao Ginásio do Mineirinho, arrumaram a Igrejinha da Pampulha e o seu entorno, mexeram na Casa do Baile, no Museu de Arte... mas a Lagoa mesmo, infelizmente continua a mesma.

Agradeço ao meu amigo Rômulo Álvares pelas fotos que ele tirou em dia de caminhada, que para ele serviria de lazer e deslumbramento pelas imagens da região, e acabaram também servindo de decepção com o que acabou presenciando e registrando.

Leia também: