Rio das Velhas está há dois dias de entrar em estado de restrição de uso

Rio das Velhas está há dois dias de entrar em estado de restrição de uso

Responsável por abastecer cerca de 60% da Grande BH, curso d'água está a dois dias de atingir marca que determina limites para a captação em seu leito. Para comitê, quadro é gravíssimo

O início do período de seca está sendo crítico para o Rio das Velhas, que abastece cerca de 60% da população da Grande BH, por meio da captação na estação de tratamento de água em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima. O manancial está com a vazão abaixo de 10,4 metros cúbicos por segundo (m3/s)  há cinco dias. Ontem, igualou sua menor marca do ano, 8,85 m3/s, segundo a Copasa. Se continuar neste patamar por mais dois dias, estará configurada a situação de escassez de água. O comitê da bacia hidrográfica (CBH Velhas) afirma que a situação é de alerta e já estuda medidas para enfrentar o período de estiagem.

 


A vazão do Rio das Velhas está baixa há pelo menos 30 dias. Em 8 de julho, a vazão estava em 11,3 m3/s. Chegou a subir para 12,8 m3/s oito dias depois, mas desde 26 de julho não supera os 10,6 m3/s. Por duas vezes, atingiu a marca de 8,85 m3/s, a menor do ano. Mas são os dados dos últimos cinco dias que preocupam. Se a vazão abaixo de 10 m3/s se mantiver por sete dias consecutivos, o curso d’água entra em estado de restrição de uso.

O presidente do CBH Velhas, Marcus Vinícius Polignano, diz que a situação é crítica. “É extremamente preocupante. Queremos dar um grito de alerta para a população, pois o Rio das Velhas já entrou em alerta. Está com uma vazão abaixo daquilo que se poderia tirar. Isso significa que o rio está em escassez grave”, afirmou. Polignano explicou ainda que a Copasa retira em torno de 6,5 m3/s do Rio das Velhas para atender à Grande BH. Considerada a vazão de ontem, sobrariam apenas 2,35 m3/s para o rio continuar a correr.

Em sua edição da última sexta-feira, o Estado de Minas mostrou como a seca vem prejudicando o Rio das Velhas em cidades da Grande BH. A estiagem dos últimos anos ajudou a reduzir bastante o volume no leito. Em 2014, considerado o pior ano de escassez de água, o volume de chuva foi de 546 milímetros (mm). Em 2015, ficou em 798mm. Em 2016, 695mm. De janeiro até esta terça-feira, a quantidade de precipitação foi de apenas 529,35mm.

O comitê da bacia pretende anunciar medidas nas próximas semanas para enfrentar esse período de seca. “Será uma série de providências para fazer uma política de suporte e tentar dar uma sobrevida ao rio. Já mostramos a situação de sofrimento que o rio está vivendo e isso requer ajuda de todos usuários, desde empresas até a população. Tem que haver um consumo mais sustentável, porque vamos passar por uma fase crítica pelo menos até novembro, que é quando há previsão de chuva. Temos três meses pela frente e nosso rio está em um estado crítico. Acende todos os sinais possíveis de alerta sobre a gravidade da situação que estamos vivendo”, advertiu Polignano.

Por meio de nota, a Copasa informou que a vazão mínima do Rio das Velhas está sendo monitorada pelo grupo Convazão, que é coordenado pela companhia e composto por representantes da Cemig, Anglo Gold e comitê da bacia. “O sistema de abastecimento de água integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte abrange 21 dos 31 municípios atendidos pela Copasa na Grande BH e é constituído de dois grandes sistemas produtores: o Sistema da Bacia do Rio das Velhas e o Sistema da Bacia do Rio Paraopeba (captação do Rio Paraopeba e reservatórios Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores)”, informou.

Ainda segundo a Companhia, o sistema integrado possibilita a transferência de água tratada entre os sistemas Rio das Velhas e Rio Paraopeba. “Portanto, em uma eventual necessidade de redução de produção de água tratada no Sistema Rio das Velhas, em função da redução da vazão, é possível aumentar a produção de água tratada do Sistema Rio Paraopeba e, por meio de manobras operacionais, abastecer regiões originalmente atendidas pelo Rio das Velhas”, completou. O Estado de Minas questionou se houve a transferência de água entre os sistemas nos últimos dias, mas a concessionária não respondeu.

FONTE: JORNAL ESTADO DE MINAS