Teoria do caos e as consequências do acidente da Samarco em Mariana

Teoria do caos e as consequências do acidente da Samarco em Mariana

Desequilíbrio ambiental pode ser responsável pelo surto de febre amarela em Minas Gerais

A teoria do caos afirma que uma alteração ainda que pequena num evento qualquer pode causar resultados e consequências desconhecidas e imprevisíveis no futuro. Assim, a desordem ou o caos é estabelecido e pode ser organizado, conforme comprovou o meteorologista Edward Lorentz. Ele verificou em um modelo para previsão do clima que pequenas mudanças nos dados iniciais causavam grandes alterações na previsão quanto maior fosse o tempo decorrido.

Qual a relação da teoria do caos com o acidente da Samarco em Mariana, ocorrido há mais de 1 ano que provocou a morte de 21 pessoas, além da destruição de Bento Rodrigues e devastação na bacia do rio Doce?

Bem, além dos efeitos diretos do acidente, desde as vítimas fatais até os impactos sociais e ambientais na região e em todo o leito do rio Doce, esse acidente pode ser responsável pelo recente surto de febre amarela em Minas Gerais.

Quem faz essa afirmação é a bióloga da Fiocruz Márcia Chame que explica que as alterações ambientais no ecossistema da bacia do rio Doce podem ter provocado uma situação de estresse e escassez de alimentos nos macacos da região. Assim, os primatas ficam mais suscetíveis a contrair doenças como a febre amarela, potencializando a possibilidade de transmissão para os humanos.

Como a maioria dos casos até o momento ocorreu em municípios mineiros afetados pelo acidente da Samarco e há casos de vários macacos encontrados mortos no interior do Espírito Santo, sua teoria ganha força.

Ambientes naturais estão sendo destruídos. No passado, o ciclo de febre amarela era mantido na floresta. Com a degradação do meio ambiente, animais acabam também ficando mais próximos do homem, aumentando os riscos de contaminação”, explica a bióloga em matéria publicada no Estadão (http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,para-biologa-surto-de-febre-amarela-pode-ter-relacao-com-tragedia-de-mariana,10000100032).

Por causa do surto de febre amarela o Governo de Minas Gerais declarou emergência em 152 cidades e o número de casos notificados/suspeitos chega a 206 com 34 confirmados e 23 mortes constatadas até o momento causadas pela doença. As ocorrências suspeitas ou confirmadas foram registradas em 29 municípios de Minas Gerais, segundo o portal G1. Macacos mortos já foram encontrados em 16 desses municípios.

O vírus da febre amarela circula no Brasil de forma endêmica no tipo silvestre e é transmitido pela picada de mosquitos de espécies como o Haemagogus e o Sabethes. Já na forma urbana da doença, ele pode ser transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, mas não há registros no país desde 1942.

Graças à degradação ambiental, devastação de florestas, acidentes ambientais como a da Samarco, os animais buscam alimentos cada vez mais próximos aos centros urbanos. Com isso, doenças que deveriam estar erradicadas do Brasil reaparecem ameaçando a todos. É preciso que os grupos econômicos que exploram de forma desordenada e inconsequente os recursos naturais assumam suas responsabilidades nas ações de recuperação ambiental, caso da Samarco, por exemplo.

A teoria do caos afirma que pequenas alterações causam grandes efeitos no longo prazo, para o bem ou para o mal. No caso do meio ambiente, está na hora de comprovar essa teoria, iniciando pequenas ações de preservação e recuperação ambiental, de forma que essas alterações positivas revertam a tendência de consequências terríveis para as gerações futuras.

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